A história do Antigo Egito inicia-se cerca de 3.100 a.C, altura em que se verificou a unificação dos reinos do Alto e do Baixo Egito, e termina em 30 a.C. quando o Egito, já se encontrava sob dominação estrangeira. Durante a sua longa história o Egito conheceria três grandes períodos marcados pela estabilidade política, prosperidade econômica e florescimento artístico, intercalados por três períodos de decadência. Num desses períodos de prosperidade, designado como Império Novo, correspondeu a uma era cosmopolita durante a qual o Egito dominou uma área situada entre a Núbia e o rio Eufrates.
Períodos:
- Época pré-dinástica e proto-dinástico (4500-3000 a.C.);
- Época Arcaica ou Tinita (3000-2660 a.C.): I e II dinastias
- Império Antigo (2660-2180 a.C): III a VI dinastias
- Primeiro Período Intermediário (2180-2040 a.C.): VII a XI dinastias
- Império Médio (2040-1780 a.C.): XI e XII dinastias
- Segundo Período Intermediário (1780 a 1560 a.C.): XIII a XVII dinastias
- Império Novo (1560-1070 a.C.): XVIII a XX dinastias
- Terceiro Período Intermediário (1070-664 a.C.): XXI a XXV dinastias
- Época Baixa (664-332 a.C.): XXVI a XXX dinastias
- Época greco-romana
- Período ptolemaico (332-30 a.C.)
- Domínio romano (30 a.C.-359 d.C.)
A 18ª Dinastia anuncia o início do Novo Império. Neste Novo Reino, a forma dos caixões mudou da forma retangular do Império Médio para a familiar forma de múmia, com cabeça e ombros arredondados. A princípio, eram decorados com penas esculpidas ou pintadas, mas mais tarde passaram a ser pintados com uma representação do falecido. Também eram sobrepostos como bonecas russas: um caixão externo de grandes dimensões continha um outro menor, que por sua vez continha um terceiro quase moldado ao corpo. Cada um dos caixões interiores era decorado de forma mais elaborada que o imediatamente exterior. Datam desta época a maioria das múmias que chegaram até nós.





As técnicas de mumificação foram sendo gradualmente aperfeiçoadas com o uso de natrão cristalino (mistura de sulfato, cloreto, bicarbonato e carbonato de sódio). Todos os tecidos moles, como o cérebro e os órgãos internos, eram removidos, após as cavidades eram lavadas e enchidas com natrão, que também cobria o resto do corpo. Os intestinos, pulmões, fígado e estômago eram preservados separadamente e armazenados em vasos protegidos pelos quatro filhos de Horus: Duamutef (estômago), Qebhsenuef (intestinos), Hapy (pulmões) e Imsety (fígado). Tanto era o poder destes vasos que mesmo quando os órgãos passaram a regressar ao corpo após a preservação (21ª dinastia), eles continuaram a ser fornecidos.
Vários faraós conseguiram estender o domínio egípcio até mais longe do que quaisquer dos seus antecessores, retomando o controle da Núbia e estendendo o seu poder para norte até ao Alto Eufrates e às terras dos Hititas e dos Mitanni. É uma época de grande riqueza e poder para o Egito. Ao tempo de Amenophis III (1417 a.C. - 1379 a.C.), o Egito tornara-se tão rico que deixou de procurar aumentar o seu poder, e passou a descansar no seu trono coberto de ouro núbio.
Sucedeu-lhe o seu filho, Amenophis IV, que mudou de nome para Akhenaton. Mudou a capital para uma nova cidade que construiu e a que chamou Akhetaten. Aqui, com a sua nova esposa Nefertiti, concentrou-se em construir a sua nova religião e ignorou o mundo fora do Egito. Este fato permitiu que várias facções clandestinas, descontentes com o seu novo mundo, crescessem. Uma nova religião era algo que nunca antes tinha acontecido no Egito. Anteriormente tinham chegado novos deuses, que foram absorvidos na cultura egípcia, mas a nenhum deus novo foi permitido substituir os deuses antigos. Akhenaton, por seu lado, criou uma religião monoteísta, o Aton. A adoração de todos os outros deuses foi banida, e foi esta a causa da maior parte da agitação interna. Foi também introduzida uma nova cultura artística, mais naturalista, e totalmente revolucionária relativamente à tradição do friso estilizado que tinha dominado a arte egípcia ao longo de 1700 anos.
Para o fim do seu reinado de 17 anos, tomou como co-regente o seu irmão Smenkhkare. O co-reinado durou apenas dois anos. Quando Akhenaton morreu, alguns dos velhos deuses ressurgiram. Na verdade, nunca chegaram a desaparecer: o seu culto tinha apenas passado à clandestinidade. Smenkhkare morreu depois de poucos meses de reinado solitário, e seguindo à sua morte, foi coroado um jovem que não estava preparado para as pressões de governar um país tão grande. Por isso, eram os seus conselheiros que tomavam as decisões. O seu nome de baptismo foi Tutankhaton mas, com o ressurgimento de Amon, foi rebatizado Tutankhamon.
Um dos conselheiros mais influentes de Tutankhamon era o General Horemheb. O faraó morreu ainda adolescente, e sucedeu-lhe Ay, o qual é possível que tenha casado com a viúva de Tutankhamon a fim de reforçar o seu direito ao trono. É possível que Horemheb tenha feito de Ay monarca para servir de rei de transição até que ele próprio estivesse pronto para assumir o poder. Seja como for, quando Ay morreu foi Horemheb quem o substituiu, dando início a um novo período de governo positivo. O novo faraó tratou de estabilizar internamente o país e de restaurar o prestígio que ele tinha antes do reinado de Akhenaton.
A 19ª dinastia foi fundada por Ramsés I. Ele reinou durante pouco tempo, e foi Seti I (também conhecido como Sethos I) que lhe sucedeu. Seti I continuou o bom trabalho de Horemheb na restauração do poder, controle e respeito do Egito. Também foi responsável pela criação do fantástico templo de Ábidos. Seti I e o seu filho, Ramsés II, são os únicos dois faraós que se sabe terem sido circuncisados. Ramsés II prosseguiu o trabalho do seu pai e criou muitos outros templos magníficos.
O reinado de Ramsés II é frequentemente citado como a data mais provável do êxodo dos Israelitas do Egito. No entanto, não existem registos na história do Egito de nenhum dos acontecimentos descritos na Bíblia, e também não existem provas arqueológicas que os corroborem.
A Ramsés II sucedeu Ramsés III, que travou algumas batalhas e deu lugar a uma série de reinados curtos, todos sob a direcção de faraós chamados Ramses.
Depois da morte de Ramsés XI, os sacerdotes, na pessoa de Herihor, tomaram por fim o controle do Egito das mãos dos faraós. O país foi de novo dividido em dois, com Herihor a controlar o Alto Egito e Smendes a controlar o Baixo Egito. Foram estes os novos governantes, da 21ª Dinastia. Estes reis também foram conhecidos como Tanitas, já que a capital do Império ficava em Tânis. O seu reinado não parece ter tido nenhum outro marco, e foram subjugados sem luta aparente pelos reis líbios da 22ª Dinastia.
A civilização egípcia foi umas das primeiras Grandes Civilizações da Humanidade e manteve durante a sua existência uma continuidade nas suas formas políticas, artísticas, literárias e religiosas, explicável em parte devido aos condicionalismos geográficos, embora as influências culturais e contatos com o estrangeiro tenham ocorrido.
Fonte: Livro Grandes Civilizações da Humanidade
O Destino Egito
Conhecer de perto as Pirâmides de Gizé, mergulhar no Mar Vermelho, desvendar os segredos dos faraós e ver miragens no deserto são apenas alguns dos motivos que fazem do Egito um destino fascinante! Viajar para o Egito significa fazer uma viagem no tempo e voltar às aulas de história. Conhecer o Cairo Islâmico e explorar suas mesquitas e fontes é oportunidade única. No Egito você também poderá treinar suas habilidades de barganha, e se você é bom negociador, com certeza fará boas compras!





O país, cuja capital é o Cairo, chama-se República Árabe do Egito. Encontra-se dividido em 26 governadorias, cada uma administrada por um governador nomeado pelo presidente. Os governadores são assessorados por conselhos, cujos membros, na sua grande maioria, são eleitos. Nas cidades e nas aldeias também existem conselhos.
A população ronda os 99 milhões de habitantes, o que faz do país o segundo mais populoso de África, e está concentrada nas margens do Nilo, no Delta e na região próxima ao Canal de Suez.
Os Egípcios são os descendentes da população do Antigo Egito que se misturou com os árabes a partir do século VII. Na região do Delta encontram-se populações que são descendentes de gregos, romanos e turcos.
Cerca de 42% dos egípcios vivem nas cidades. As mais populosas são o Cairo (a cidade mais populosa do continente africano com quase 10 milhões de habitantes) e Alexandria (5,2 milhões de habitantes). Ao longo do século XX verificou-se uma migração das populações rurais para as cidades surgindo problemas de saneamento básico, poluição e falta de habitações condignas.
Os Núbios são um grupo minoritário do país, oriundo de uma região corresponde ao sul do Egito e ao norte do Sudão. Quando as suas terras foram submergidas pelo Lago Nasser, os Núbios tiveram que mudar-se para Kom Ombo. No século XIX fixaram-se no Egito comunidades estrangeiras compostas por gregos, italianos, britânicos e franceses; desde a independência do país estas populações têm diminuído. A outrora vibrante comunidade judaica egípcia praticamente desapareceu; alguns judeus visitam o país em ocasiões religiosas.
Localizado no norte da África e do Médio Oriente, é um país árabe com 1.001.450km², limitado a norte pelo mar Mediterrâneo, a Leste com a Faixa de Gaza, com Israel, com o Golfo de Aqaba (através do qual faz fronteira com a Jordânia e com a Arábia Saudita) e com o mar Vermelho, a sul com o Sudão e a oeste com a Líbia.

Mais de 90% de seu território, entretanto, é um deserto estéril que induziu 99% da população a concentrar-se no vale do rio Nilo e em seu Delta, região que ocupa apenas 3% da área total. Ao longo da costa mediterrânea do Egito, há inúmeras praias de areias brancas, algumas transformadas em resorts turísticos, mas muitas ainda inexploradas e isoladas.
O país controla o canal de Suez, que liga o Mediterrâneo ao mar Vermelho. O papel importante que o Egito desempenha na geopolítica vem da sua posição estratégica como ponte terrestre entre a África e a Ásia e como ponto de passagem entre o Mediterrâneo e o oceano Índico. Egito inclui partes do deserto do Saara e do deserto Líbio, onde existem alguns oásis, como de Bahariya, o de Dakhleh, o de Farafra, o de Kharga e o de Siwa.
Além da capital, Cairo, as outras cidades importantes do Egito são: Alexandria, al-Mansurah, Assuã, Asyut, El-Mahalla El-Kubra, Gizé, Hurghada, Luxor, Kom Ombo, Port Safaga, Porto Said, Sharm el Sheikh, Shubra-El-Khema, Suez e Zagazig.
Sobre o Governo
A estrutura política do Egito reflete sua ambição de se consolidar como uma potência moderna, sem abrir mão do controle sobre seu vasto legado. Como uma República Árabe de sistema presidencialista, o governo exerce um papel central não apenas na administração civil, mas na curadoria da própria história do país. Nos últimos anos, essa gestão tem se manifestado em projetos monumentais de infraestrutura que visam transformar a experiência do visitante. Um exemplo claro é a construção da Nova Capital Administrativa e o investimento massivo em segurança, visível na presença constante da Polícia de Turismo e Antiguidades, uma divisão dedicada exclusivamente a garantir a tranquilidade nos sítios arqueológicos e zonas hoteleiras.
Essa postura governamental de valorização do patrimônio também impulsionou uma renovação museológica sem precedentes, onde o Estado assume o papel de anfitrião de eventos globais que celebram a identidade egípcia. Para o viajante, essa organização estatal se traduz em um país que, embora mantenha suas tradições conservadoras e uma burocracia centralizada, apresenta-se cada vez mais eficiente e aberto ao fluxo internacional. É um cenário de estabilidade monitorada, onde o foco absoluto é a preservação da integridade do turista e a modernização das portas de entrada para o mundo antigo.
No centro dessa engrenagem política está o presidente Abdel Fattah el-Sisi, que governa o país desde 2014. Sua gestão é marcada por uma visão nacionalista focada em grandes projetos de engenharia e na restauração da ordem após os períodos de instabilidade da Primavera Árabe. Sob seu comando, o governo egípcio adotou um modelo de liderança forte, onde a figura presidencial é o arquiteto principal da "Nova República". Essa visão transcende a política partidária; ela se manifesta na integração direta entre as forças armadas e o desenvolvimento econômico, resultando em uma execução acelerada de obras que, em décadas anteriores, levariam gerações.
Embora o sistema preveja uma divisão de poderes, o Executivo mantém uma influência decisiva, o que permite ao governo manter um controle rigoroso sobre a narrativa nacional e a segurança pública. Para o mundo, essa liderança busca projetar a imagem de um Egito estável e confiável para o investimento estrangeiro. Para o turista, o governo de El-Sisi é personificado no esforço de apresentar um país que, após milênios de história, decidiu que é hora de construir seus próprios novos monumentos como a megaestrutura da Nova Capital e a expansão do Canal de Suez, provando que o poder no Egito continua sendo, como nos tempos dos faraós, uma força capaz de moldar o horizonte e o destino da nação.
